A minha 1ª entrevista como Designer de Moda/Estilista - Maio 2015

11-02-2016

Publicada no Diário de Aveiro - 13 Maio 2015
1- Qual foi seu primeiro contato com o mundo da moda? Como conheceu o universo fashion?
Desde muito nova, talvez pelos 15 ou 16 anos, quando comecei a comprar revistas que ensinavam a fazer roupa. Era uma revista estrangeira mas com o suplemento ilustrativo todo em português. Assim aos poucos fui fazendo as minhas peças favoritas que diferenciavam a minha forma de vestir relativamente a outras adolescentes.
O “bichinho” da moda sempre existiu em mim mas só há cerca de 5 anos o tenho desenvolvido com mais intensidade já que agora me dedico inteiramente a esta arte e paixão.

2- No processo criativo de moda, quais as principais referências? É possível criar novos paradigmas?
Para mim o mais importante é fazer uma roupa com a qual me sinta bem, tanto física como psicologicamente. Creio que a maioria das pessoas aprecia esse facto independentemente de se seguir uma moda ou uma tendência. O conforto e a praticidade são referências que tenho sempre em conta no processo de realização de peças que possam interessar a alguém.
É possível criar novos paradigmas sim, mas todos eles são inspirados em algo que já existe e que nos serve de referência. Criar na realidade um novo paradigma é utópico no mundo em que vivemos, porque se tornaria inviável e inacessível para o cliente comum usar. A realidade de hoje permite-nos criar mas sempre condicionados ao cliente que temos na nossa frente.

3- O que você leva em consideração na hora de criar uma coleção? E o que mais te inspira na hora de criar peças novas?
Criar uma colecção é uma grande responsabilidade e uma incógnita porque não sei se vou ter depois aceitação das minhas criações. Tenho que ter em consideração muita coisa como por exemplo os modelos que criei será que vão agradar? Os modelos são confortáveis? Os tecidos, as cores escolhidas serão do agrado das pessoas? O custo dos materiais escolhidos são compatíveis com o poder de compra? São peças práticas para o dia-a-dia ou mais um estilo de festa?
É estimulante fazer duma colecção um show visual mas é preciso ter em conta que realizá-la trás um custo alto que necessariamente tem que nos dar um retorno para podermos continuar a investir na moda.
Sou muito emotiva e as coisas mais comuns servem de inspiração como por exemplo, observar tudo à minha volta, desde as pessoas, a arquitectura, o céu, o mar, os pássaros, os tecidos, as cores … enfim, tanta coisa! Depende sempre do momento e do meu estado de espírito.

4- Tem algum estilista favorito, que te serviu/sirva de inspiração ou mesmo de referência?
Gosto muito de formas que realcem a beleza da mulher, seja alta, baixa, elegante ou menos elegante. A versatilidade dum estilista vê-se nesse momento tornando-a sempre mais atractiva e bela. Aprecio bastante o estilo de Giorgio Armani e Carolina Herrera entre os estrangeiros e Luis Buchinho e Carlos Gil nos nacionais, entre outros.

5- Como você vê a questão da identidade?
Cada estilista tem uma identidade específica, a sua forma de mostrar aos outros, a sua própria tendência e gosto no mundo da moda. Não sou excepção e como tal procuro sempre dar um toque romântico nas minhas peças, seja no modelo criado, seja em algum pormenor que realce a diferença, como uma fita, um laço, um tecido que contraste ou um apontamento artesanal como o croché ou tricô.

6- Existe alguma pessoa em especial, que você gostaria de criar algo?
Particularmente não. Todas as pessoas são atractivas para poder vestir. Mas gostaria muito de poder criar sem qualquer limite ou condicionante … e isso é difícil porque o cliente tem sempre uma ideia do que quer ou não quer.

7- Qual foi seu primeiro trabalho como estilista? E como foi desenvolvê-lo?
Quando se recebe um pedido para fazer algo e nem sequer se conhece fisicamente a pessoa é muito complicado …. Mas a 1ª encomenda que recebi foi assim. Enviaram-me as medidas para fazer umas calças e na hora de entregar coincidiu ir a Lisboa e marquei encontro para conhecer a cliente, que ficou expectante de chegar em casa e ver como lhe ficariam. De regresso a Aveiro vibrei com a sua resposta e apreciação dizendo que as calças serviam que nem uma luva. Foi um grande estímulo!

8- Deixe uma mensagem para os leitores do Diário Aveiro e os seguidores de moda.
Gostaria de divulgar que o meu trabalho assenta numa vertente de personalização, criando e realizando peças únicas e à medida de cada cliente, desde os mais pequeninos até idade adulta.
Vejo a moda como uma forma de expressar sentimentos e vivências e por isso cada trabalho é precioso, seja um novo trabalho ou uma recuperação/transformação.